Entre os muitos desenvolvimentos da atividade socialista pelos quais o homem na rua pode se chocar, talvez nenhum seja mais difícil de compreender a primeira vista do que a hostilidade implacável demonstrada pelos partidos Socialistas do mundo aos partidos políticos então identificados com a agitação de reformas políticas. O não-iniciado acha difícil entender porque deveria haver uma hostilidade tão demarcada entre partidos, ambos os quais colocam nos seus programas propostas de reforma política aparentemente quase idênticas; porque o partido Socialista, que representa as ideias mais revolucionárias dos nossos tempos, deveria buscar a queda dos partidos de reforma política com o zelo e ansiedade que o mais intolerante Conservador nunca poderia alcançar. É observado que onde quer que o partido Socialista seja forte, na Alemanha, França, ou Bélgica, é o partido Liberal - o partido de meros reformadores políticos - que foi o primeiro a perder prestígio e filiados na exata proporção em que o Socialismo avançou.
Estranhamente, que a circunstância possa parecer para a mente irrefletida, é o que deve ser esperado do aparecimento no campo político de uma força que como o partido Socialista tem um programa de reforma política abarcando tudo e mais do que os velhos partidos de reforma buscaram, e um programa encarnando as demandas por mudanças econômicas que não recebem nenhum apoio dos reformadores de classe média, apesar da necessidade gritante dos tempos. O desenvolvimento de problemas econômicos agudos, lado a lado com a extensão do direito a voto - problemas econômicos são, na verdade, mais agudos nos países politicamente mais livres - colocou nas mentes dos eleitores da classe trabalhadora a convicção que, exceto como meios para um fim, a liberdade política é uma aquisição sem valor para sua classe. Eles portanto demandam o direito de usar esse poder político no sentido dos seus próprios interesses de classe, mas ao fazer tal demanda eles ficam surpresos ao ver os seus antigos líderes de classe média serem os primeiros a denunciá-los e a chamar o Estado para lhes opor. Quando este ponto é alcançado, como nos países mencionados acima e em menor grau na Inglaterra e na América, o observador atencioso da política não pode evitar ver que os partidos de classe média de reforma esgotaram sua utilidade; que qualquer mudança política ainda necessária para estabelecer a democracia no poder pode ser buscada tão bem quanto sob a bandeira da nova força política do Socialismo quanto sob a velha bandeira do Liberalismo, e que este novo poder baseando sua agitação nos interesses materiais da classe produtora reúne para si um poder potencial, da paixão e do interesse próprio da maioria da nação, o que os meros doutrinários - Liberais, Radicais, ou Republicanos - nunca poderiam fazer. Portanto os partidos de reforma política decaem enquanto os Partidos Socialistas prosperam; o último leva as demandas políticas do anterior na sua bandeira lado a lado com as demandas econômicas da sua classe, e então deprivados da sua única razão de existência os partidos de reforma capitalistas perdem sua atração da multidão - agora andando ansiosamente à frente na inspiração de um nova e melhor esperança.
Por outro lado o Conservadorismo está, como um partido, com a existência garantida enquanto o sistema atual durar. Pode ser visto como um axioma que sempre haverá um partido Conservador enquanto houver tirania e privilégio para conservar. Por isso vemos os velhos partidos de reforma perdendo seus membros para ambos os lados - a seção mais rica caindo nas fileiras do Conservadorismo, para fortalecer o único partido capaz de defender seus monopólios, e a seção da classe trabalhadora se juntando aos Socialistas como o único partido que abraça a causa conjunta da liberdade política e industrial. Os Socialistas são naturalmente desejosos de acelerar este processo, para que o campo de batalha político possa ser limpo e aberto para a batalha final entre os únicos dois partidos que possuem uma razão lógica para existir - o partido Conservador defendendo as fortalezas da monarquia, aristocracia e capitalismo; e o partido Socialista atacando essas fortalezas no interesse da liberdade humana. Este resultado não pode ser alcançado enquanto houver um partido político que, como os Liberais da Inglaterra ou do Continente, e os partidos do Autogoverno da Irlanda, tente misturar os princípios do progresso e da reação - agora abertamente demandando liberdade política, agora vigorosamente escravidão econômica. Portanto os Socialistas uniformamente buscam o embaraço do Liberalismo, vendo ele como um amortecedor entre as forças desafiantes da tirania e da liberdade; e por isso o trabalhador perspicaz do Continente já reduziu o uma vez formidável partido a uma mera cifra na política, e logo acabará completamente com sua existência.
O fato não deixa de nos dar uma lição para nós na Irlanda. Nós também temos os chamados partidos de reforma - o Autogoverno em todas as suas fases é agora somente um manto para os desígnios da classe média desejosa de alcançar um acordo com o Governo Imperial que ela pretende desgostas. É apenas Liberalismo capitalista, falando com um sotaque irlandês. Portanto é o inimigo de todo esforço de emancipação da classe trabalhadora, e se os trabalhadores da Irlanda estiverem tão conscientes dos interesses da sua classe como estão seus irmãos do Continente, eles ajudarão a construir esse Partido Socialista que está destinado a marchar sob a cova do Liberalismo Autogovernista no assalto e destruição finais das fortalezas da opressão.