Empurrões Locais

James Connolly

16 de dezembro de 1899


Primeira edição: The Workers' Republic, 16 de dezembro de 1899.

Fonte: Red Banner, n. 20.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

Creative Commons BY-SA 4.0


A Corporação de Dublin.

Um grande órgão de patriotas.

Como seus corações sangram pela humanidade sofredora - cobrando pelo sangramento.

Como eles odeiam a Inglaterra, e amam todos seus inimigos - na hora das eleições.

Este grande órgão de patriotas, que tem a honra da capital da Irlanda sob seus cuidados, foram convocados juntos na segunda-feira a uma reunião especial da Corporação para considerar uma moção de simpatia com os bôeres(1), e tomaram a oportunidade para mostrar de quê são feitos.

De material esplêndido, que serve para tudo. Adequado para asfaltar as ruas, na verdade.

Há 60 membros na Corporação, a maioria dos quais são gran-des Nacionalistas, sempre sedentos pelo sangue do brutal saxão.

Mas dos 60 membros só 14 compareceram, e dos 14 uma larga proporção eram Conservadores que foram com a intenção de se opor a moção.

14 membros não constituem um quórum, então ao não comparecer os ausentes lograram derrotar a moção.

Poderia ser uma ação mais máscula ter se oposto à moção e derrotado ela, mas você não deveria esperar uma ação máscula por parte de charlatões de classe média - ou homens do Trabalho dedicados a vender a causa do Trabalho.

14 membros dos 60 e 5 deles Conservadores. Quase todos os membros do Trabalho ausentes, incluindo Alderman, Fleming, seu amigo, Conselheiro Bergin, e todos os outros membros do Distrito de North Dock.

Uma boa lição objetiva para os eleitores.(2)

O Lorde Prefeito Tallon foi alvo de vaias e resmungos, vivas foram chamados na sala do Conselho por uma República Irlandesa, e resmungos direcionados ao Império Pirata. O Lorde Prefeito leu um discurso que alguém preparou para ele, indicando sua simpatia pelos bôeres -

Mas nunca mencionando o fato que na volta para casa ele presidira uma reunião no navio com o intuito de levantar fundos para o auxílio de parentes destituídos dos soldados envolvidos na matança dos bôeres.

Todo o espetáculo - a ação covarde dos ausentes, a palhaçaria hipócrita para a galera da pessoa encarregada da moção, e a atitude desonesta da imprensa do Autogoverno - tudo leva a conclusão de que a classe média deve ser expulsa da vida pública se a masculinidade da Irlanda deve resgatar seu país do desprezo universal.

Talvez nossos amigos Republicanos que possuem, ou professam, um desprezo da ação política agora verão o valor dela, verão quão mais fortes e agressivos eles poderiam ser se tivessem ouvido nosso conselho e capturado posições representativas no interesse revolucionário.

Agora eles imploram por uma audiência na corporação, onde, com uma representação própria lá, eles poderiam forçá-la.

Mas é claro, tal representação só poderia ser garantida ligando a causa política revolucionária com a causa da emancipação social dos trabalhadores, e talvez seja por isso que nossos amigos têm tanto medo disso.

O Daily Nation denunciou a proposta de passar uma moção de simpatia com os bôeres alegando que poderia ameaçar a Lei dos Limites que parece ser mais importante do que a liberdade de um povo a milhares de milhas de distância.

Isso não tem nada a ver com o rumor de que o parlamentar Tim Healy está prestes a ser indicado para um Juizado.(3)

O pobre Evening Herald quase chorou com a notícia da derrota dos britânicos em Stormberg.

Em sentenças agonizantes ele pinta os lamentos daquelas mães irlandesas cujos filhos caíram na África, no decorrer do seu gloriosos trabalho de assassinos contratados.

Este jogo do Herald é notório, como um método esperto e insidioso de construir simpatia pelo exército britânico.

Está a par com a ação do mesmo jornal em publicar continuamente cartazes anunciando, na sua maior fonte, as derrotas dos bôeres, e as grandes vitórias dos britânicos, no mais aprovado estilo do sensasional jornalismo jingoísta.

Todos esses pequenos desvios da imprensa do Autogoverno são interessantees, porque exibem as características inatas da classe capitalista - uma classe incapaz de ação honesta quando dinheiro pode ser feito com joguetes.

No nosso tempo e geração só há uma classe que pode ser confiada para uma ação revolucionária consistente. Esta classe é a classe trabalhadora.

Não porque a classe trabalhadora é nos seus membros individuais melhor que as outras classes, mas porque é a única classe na comunidade que não tem nada a ganhar da manutenção das condições atuais.

A marcha adiante da sociedade capitalista esmaga os trabalhadores cada vez mais, deixa a vida cada vez mais precárias para os laboriosos, e como uma consequência confronta a masculinidade do Trabalho com uma alternativa esquálida:-

Ou revolução para levar os trabalhadores a tomar o poder do Estado e então possibilitar a restauração do trabalhador no controle dos meios de existência, com uma vida saudável, feliz e humana, ou então uma vida inteira de trabalho degradante com a casa de trabalho como uma recompensa final.

O trabalhador que percebe sua posição de classe é totalmente consistente, e sua consistência leva consigo a destruição do capitalismo moderno e todos os governos e instituições que mantêm seu domínio.

Spailpín